Biblioteca do Instituto Superior Técnico (BIST)

Guia de Publicação


Bibliometria – Conhecer as métricas de avaliação científica

 

O que é a Bibliometria?

A Bibliometria é um campo que utiliza métodos estatísticos e matemáticos para examinar a produção científica, permitindo a construção de uma análise quantitativa a partir de indicadores. É utilizada como meio para acompanhar o desenvolvimento das áreas científicas. Permite, portanto, analisar publicações, autoria e uso dessas informações a partir da identificação de padrões, o que possibilita comparar autores, grupos de investigação, instituições, países ou disciplinas científicas.

Segundo a Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas, Profissionais da Informação e Documentação (BAD), trata-se da “técnica quantitativa e estatística que permite medir índices de produção e disseminação do conhecimento, acompanhar o desenvolvimento de diversas áreas científicas e os padrões de autoria, publicação e uso dos resultados de investigação” (disponível em GLOSSÁRIO | ciencia-aberta).

 

Quais são as métricas de avaliação científica?

As métricas e os indicadores de produção científica são muito importantes na comunidade académica. Ajudam a identificar oportunidades de colaboração e de investimento em novas áreas de investigação. Também mostram o desempenho dos investigadores e dos grupos de investigação, sendo úteis para decisões de promoção, entre outros aspetos. Na ciência, as métricas são essenciais para avaliar a procura de financiamento, o impacto das publicações e a divulgação dos resultados. As métricas e os indicadores de produção científica podem ser usados em diferentes contextos: em revistas científicas, em autores ou nas suas publicações. Cada métrica dá uma perspetiva diferente e contribui para uma avaliação mais completa e precisa.

Tanto as publicações científicas quanto os investigadores estão sujeitos a avaliações constantes, o que requer métricas eficazes para compreender o impacto da produção científica, apoiar a premiação de publicações ou a progressão profissional. Há as métricas tradicionais, que contam com o processo habitual da escolha de um revista indexada em bases de dados científicas, submissão do manuscrito, revisão por pares ou peer review. As métricas tradicionais atribuem valor e prestígio a quem publica.

No entanto, enfrentam críticas cada vez mais frequentes por não serem suficientes para avaliar o impacto de uma publicação no meio académico e, por este motivo, surgiram novas métricas complementares que oferecem uma avaliação mais abrangente das instituições, investigadores e respetivas produções científicas: altmetrics ou métricas alternativas.

Para os autores, as métricas implicam responsabilidade (ver mais em: ICMJE | Recommendations, Committee on Publication Ethics). Na atual forma de avaliação da produção científica, o sucesso profissional está diretamente relacionado com a publicação (Publish or Perish, em português: Publique ou Pereça). A aferição das métricas depende do número de artigos publicados por um investigador, grupo, instituição ou país, assim como também depende do número de citações atribuídas a cada artigo. Estas contagens são por vezes insuficientes para avaliar o impacto da produção científica e, por isso, desenvolveram-se diversos índices e rankings.

 

Métricas tradicionais das revistas

Journal Impact Factor (JIF)

Journal Impact Factor (JIF) ou fator de impacto, em português, é uma métrica da Clarivate – empresa responsável pela base de dados referencial Web of Science (WoS). Identifica a frequência média com que um artigo de revista científica é citado, num determinado ano.

É o indicador mais importante e mais amplamente utilizado internacionalmente na ciência. Contudo, deve-se ter atenção ao seu uso: o fator de impacto só deve ser comparado entre revistas indexadas no mesmo índice, pertencentes à mesma área científica. Os seus valores não podem ser analisados fora de um contexto, por isso, informações como o ano de publicação e a área científica devem vir sempre juntas aos dados.

O JIF de um dado ano calcula-se somando o número de citações dos dois anos anteriores, dividindo pelo total de artigos publicados, também, nos dois anos anteriores.

Para calcular o JIF do ano 2015, somamos o número de citações obtidas entre 2013 e 2014, dividindo pelo total de artigos publicados entre 2013 e 2014. Por exemplo, se em 2013 e 2014 foram obtidas um número de 50 citações e um total de 100 artigos publicados, o JIF em 2015 é de 0.5. Ou dito de outra forma: 50/100=0.5.

 

SCImago Journal Rank Indicator

Esta métrica é usada para avaliar a influência ou prestígio de uma revista científica baseada nas citações que recebe de outras revistas. Os cálculos são realizados através de uma fórmula complexa que considera variáveis como o prestígio e a transferência desse prestígio. Esta métrica é relevante na medida em que considera não apenas a quantidade de citações que a revista recebe, mas também a qualidade das mesmas. Isto tem como consequência que uma revista com um SJR mais elevado possa ser considerada de maior prestígio.

“Exprime o número médio de citações ponderadas recebidas no ano selecionado pelos documentos publicados na revista selecionada nos três anos anteriores, ou seja, as citações ponderadas recebidas no ano X para documentos publicados na revista nos anos X-1, X-2 e X-3” (https://www.scimagojr.com/help.php#understand_journals).

 

Outras métricas:

  • Quartil;
  • Percentil;
  • Citescore;
  • Eigenfactor Score;
  • Article Influence Score.

 

Métricas tradicionais dos autores

H-index

O Índice H, em português, é um indicador que mede tanto a  produtividade como o impacto das publicações de um investigador. É capaz de fornecer dados sobre a produção científica desse investigador a partir da combinação do número de artigos publicados com o número de citações por artigo.

O índice H considera duas variáveis: o número de artigos publicados e a quantidade de citações obtidas nos artigos publicados. Por exemplo, um investigador com h=5 tem 5 artigos publicados que receberam um total de 5 ou mais citações.

 

Novas métricas

O uso de métricas alternativas (altmetrics) passa pelo uso de medidas de impacto baseadas em ferramentas e dados online. As novas métricas ambicionam fornecer alternativas de aferição quase em tempo real. A abrangência dessas métricas não se restringe às citações: podem ser contabilizados os downloads, o número de vezes que um artigo foi lido e gostos numa publicação. As novas métricas possibilitam medir o impacto num público mais abrangente, que lê e esteja interessado no conteúdo, mesmo que não o cite formalmente noutras investigações.

Diversas plataformas disponibilizam este tipo de dados. É possível encontrá-los na base bibliográfica Scopus, em editores como a Taylor & Francis ou a Elsevier e em ferramentas agregadoras dessas informações, como por exemplo Altmetric.com, Plum Analytics ou ImpactStory.

 

A diversidade nas métricas representa sempre um desafio quer na sua interpretação como na implementação. É importante e fundamental entender as métricas no seu contexto e no seu significado de forma a ser uma medida justa para os investigadores, universidades e países. Embora as métricas tradicionais, como o Journal Impact Factor e o H-index,  tenham desempenhado um papel crucial na valorização do prestígio académico, as novas métricas alternativas oferecem uma perspectiva mais abrangente e dinâmica, capturando o envolvimento e a influência em tempo real. Uma avaliação que combine várias métricas pode oferecer uma avaliação mais completa e precisa da contribuição científica no cenário global.

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